O nome "Gran Circo" exprime bem a maneira como penso.
Aparentemente caótico, mas muito planejado, às vezes irônico mas sobretudo divertido.
Não esperem só palhaçadas.
Críticas e manifestações humanas em geral terão lugar garantido no picadeiro.

Agora vamos ver como os domadores e palhaços que moram entre as minhas orelhas irão se comportar!



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27 fevereiro 2021

Hoje, como eles veriam as suas próprias obras?

 


"A incitação à luta é um dos meios de sedução mais eficazes do mal"  Franz Kafka

Li essa frase de Kafka há alguns dias e percebo que apesar de tantos anos passados, o conceito continua sendo utilizado pela militância esquerdofrênica no mundo todo.

E, a partir dela, me veio uma ideia estranha.

Imagine um encontro de Kafka com José Saramago, Ray Bradbury, George Orwell, Aldous Huxley, Anthony Burgess, Maurice Blanchot, em uma reunião promovida por Jorge Luis Borges.    Será que chegariam à conclusão que as distopias sobre as quais escreveram, hoje só pareceriam livros para adolescentes pervertidos?

Eu acho que concluiriam que foram felizes por viver em um tempo quando suas ideias só existiam no papel.

24 novembro 2016

Os dois modos de contar a verdade

Estava pesquisando os meus arquivos buscando inspiração para a postagem desta semana, e encontrei um recorte interessante para compartilhar com vocês.  É inspirador, e dá um refresco na pauta política.

photo by Liliana Bettencourt in Freeimages.com

Certo dia, um sultão acordou muito nervoso, pois havia tido um pesadelo horrível – sonhara que perdera todos os seus dentes. A cada dente que caía ele chorava muito e cada vez o choro ficava mais triste. Ele não aguentava mais a angústia e chamou o adivinho do palácio para lhe dizer o que o sonho significava, e o adivinho falou:
- Meu sultão, terríveis palavras vou proferir, mas é a verdade e tenho que lhe dizer. O senhor será muito infeliz, pois todos os seus parentes morrerão, filhos, filhas, esposas e sua adorável mãe.
O sultão ficou irado e disse:
- Como ousas, miserável, falar tais mentiras?! Guardas, arrastem este enganador, batam cem vezes nele e arranquem-lhe a língua para que pare de falar tolices!
Mas a dúvida e o medo do sultão cada vez mais aumentavam mais.
Sendo assim, mandou chamar outro adivinho, que falou:
- Meu sultão, tenho maravilhosas palavras a proferir. O senhor terá longevidade e será aquele dentre os membros de sua família que mais tempo nos honrará com imensa sabedoria e justiça.
O sultão abriu um sorriso imenso e disse:

- Adivinho, ganharás cem moedas de ouro pela feliz notícia que me deu. A longevidade de um homem deve ser comemorada!
Colhido em “Ensino: Como encantar o aluno e vencer a concorrência”
Marques. André, e Pinho Lopes. Cláudia Valéria,
DISAL Editora, 2007

21 julho 2016

Leituras de férias

As férias escolares são um excelente período para botar as leituras em ordem.

Nesse período, o santo Kindle tem trabalhado um bocado e tive a felicidade de encontrar alguns textos bem interessantes de autores jovens, e fora da lista dos best-sellers.

O primeiro deles foi "O livro secreto", primeira novela do francês Grégory Samak. Uma história fantástica sobre um velho austríaco que descobre uma biblioteca que contém livros que descrevem todos os momentos de todos os seres humanos.  E ele descobre mais ainda, que lhe foi dado o poder de mudar o destino da humanidade.
O livro flui rápido e tem capítulos curtos, mas não espere um texto leve porque aborda o desenvolvimento do nazismo e suas consequências, bem como a xenofobia e o preconceito que ainda perdura por aí.
E transversalmente faz um alerta para que a gente nunca se esqueça da história passada para se livrar das armadilhas de voltar a errar os mesmos erros.

Eu gostei!

O segundo foi "Uma história da terra e do mar", também o primeiro livro da americana Katy Simpson Smith.  A novela (ou talvez um romance) se desenvolve na segunda década do século XVIII na Carolina do Norte, época da guerra pela independência e abrange três gerações. Tem belas descrições e uma linguagem poética, embora trate de temas muito sombrios como o conflito de gerações, o luto, a solidão, a rigidez religiosa, e o contraponto disso tudo com a esperança.

Também vale a pena ser lido. Gostei!

E agora estou encarando o "Vidas provisórias" do Edney Silvestre. Que também é pesadão.

Vou ter que encarar um almanaque do Maurício de Souza antes do final de Julho.

20 fevereiro 2010

Sobre nuvens e água


Nota de rodapé em Mussashi quando o monje Takuan pretendia seguir um destino tão incerto quanto o das nuvens ou das águas que se vão sem dizer para onde.

Nos mosteiros zen, os noviços são chamados "unsui" (nuvem-água) e as decorações do templo zen comportam frequentemente desenhos de nuvens e água.
As nuvens movem-se livremente, formando-se e reformando-se em conformidade com as condições externas e sua própria natureza, que não é tolhida por obstáculos.

"A água é submissa, mas tudo conquista. A água extingue o fogo ou, diante de uma provável derrota, escapa como vapor e se refaz. A água carrega a terra macia, ou quando se defronta com rochedos, procura um caminho ao redor. A água corrói o ferro até que ele se desintegra em poeira; satura tanto a atmosfera que leva à morte ao vento. A água dá lugar aos obstáculos com aparente humildade, pois nenhuma força pode impedi-la de seguir seu curso traçado para o mar. A água conquista pela submissão; jamais ataca, mas sempre ganha a última batalha."
(Tao Cheng de Nan Yeo, um estudioso taoísta do século XI, citado por Blofeld em seu The Wheel of Life).

Essas virtudes da água são as do homem zen perfeito, cuja vida se caracteriza pela liberdade, espontaneidade, humildade e força interior, além da capacidade de adaptar-se às circunstâncias mutáveis sem tensão ou ansiedade
(Philip Kapleau: Os Três Pilares do Zen. Ed. Itatiaia).

16 março 2009

Padre Landell de Moura - Um herói sem glória

"Que é o ideal?
"O ideal é aquele pensamento, aquele sentimento intenso, constante e persistente, para onde convergem todas as nossas faculdades e atividades, e que, com o volver dos tempos, acabará por contribuir para nossa felicidade ou desventura."
Landell de Moura

Esse pensamento é de um livro chamado "Padre Landell de Moura - Um herói sem glória.
O livro é de 2006 mas era difícil de encontrar. Agora fui presenteado pela minha mulher. Fiquei feliz! Muito obrigado.

Pessoal! Estou achando fantástico! Não chega a ser uma biografia mas é muito bem estruturado e embasado pelo autor o jornalista Hamilton de Almeida.

Vale conferir!

Acredito que os radioamadores devam conhecer bem quem foi ele. Como ele viveu aqui na minha cidade entre 1906 e 1907, meu pai (que era radioamador) acabou conhecendo pessoas que haviam convivido com ele, e desenvolveu a maior admiração pelo seus feitos. Foi assim que fiquei sabendo dele pela primeira vez.

Há fatos documentados de que o padre não só desenvolveu o rádio antes de Marconi, como também uma série de outros aparelhos que depois foram "reinventados" por gringos. Acima vemos uma réplica funcional de seu "Gerador de ondas".
Por outro lado mostra bem o descaso das autoridades da época, não só as governamentais como também as da igreja, que não lhe deram a mínima credibilidade. Aliás o taxaram de maluco.

De certo modo também as atuais, exceto talvez as do Rio Grande do Sul, sua terra natal, visto que ele não tem o destaque que eu acho ele merece. Nunca ouvi falar dele numa sala de aula e praticamente ninguém o conhece.

Como bem disse o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão no prefácio, "...deve ser lido por todos os brasileiros, principalmente pelos estudantes, pois constitui um estímulo sobre toda espécie de reflexão mais profunda acerca das condições humanas do cientista no Brasil."